A Percepção do Tempo I
Conteúdo obrigatório para o Co-lapso.
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Comecemos nos habituando à idéia de percepção a partir de alguns de nossos cinco sentidos, dos quais já somos conscientes e com os quais estamos, há muito, acostumados.
A visão; podemos perceber freqüências mais altas e mais baixas de luz visível, interpretando-as como diferentes cores.
A audição; podemos ouvir freqüências mais altas e mais baixas – dentro do intervalo entre 20Hz e 20KHz -, interpretando-as como notas mais agudas ou mais graves.
Penso como possibilidade, pois, que sejamos capazes de ter interpretações semelhantes às citadas através da percepção do tempo, que seria o sétimo sentido, se considerarmos o equilíbrio como o sexto. É inegável a existência de algo em nosso cérebro que percebe a passagem do tempo, pois se, criando uma situação-exemplo, fossemos colocados em um ambiente na completa ausência de gravidade e luz, ou seja, um ambiente no qual nossos outros seis sentidos se mostrariam inúteis, ainda seríamos capazes de distinguir uma hora de um minuto, portanto, se nosso cérebro continuar funcionando continuaremos tendo noção de tempo.
Mas como seria, em nosso sétimo sentido, uma situação análoga à interpretação auditiva de sons graves e agudos?
Vamos à famosa situação da Relatividade Restrita: O Paradoxo dos Gêmeos. O gêmeo que tripula a nave, viajando próximo à velocidade da luz, ao voltar para a Terra estará mais novo que seu irmão. Ou seja, o mesmo evento acontecido, a viagem, demorou mais para o gêmeo em repouso relativo a Terra do que para o gêmeo que estava em movimento. E o gêmeo na nave não só sentiu o tempo passar mais rápido, pois para seu corpo também se passaram menos anos em relação ao corpo do gêmeo na Terra, o tempo de ocorrência de qualquer evento realmente é menor para o observador em movimento, como explica o Princípio da Simultaneidade de Einstein. E aí está um exemplo de interpretações distintas de percepção temporal.
A esse exemplo cabe mais uma comparação com o sentido da audição: o Efeito Doppler. Suponhamos duas pessoas afastadas entre si e um alto-falante posto em repouso ao lado de uma das pessoas e emitindo um som de freqüência contínua. O indivíduo que está afastado do alto-falante começa a correr em alta velocidade na direção do emissor dos sons. Pelo fenômeno chamado de Efeito Doppler, a pessoa que está correndo vai perceber um som mais agudo do que o percebido pelo indivíduo em repouso, e ele não somente perceberá o som mais agudo, o som realmente terá, naquela velocidade, uma freqüência superior.
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Comecemos nos habituando à idéia de percepção a partir de alguns de nossos cinco sentidos, dos quais já somos conscientes e com os quais estamos, há muito, acostumados.
A visão; podemos perceber freqüências mais altas e mais baixas de luz visível, interpretando-as como diferentes cores.
A audição; podemos ouvir freqüências mais altas e mais baixas – dentro do intervalo entre 20Hz e 20KHz -, interpretando-as como notas mais agudas ou mais graves.
Penso como possibilidade, pois, que sejamos capazes de ter interpretações semelhantes às citadas através da percepção do tempo, que seria o sétimo sentido, se considerarmos o equilíbrio como o sexto. É inegável a existência de algo em nosso cérebro que percebe a passagem do tempo, pois se, criando uma situação-exemplo, fossemos colocados em um ambiente na completa ausência de gravidade e luz, ou seja, um ambiente no qual nossos outros seis sentidos se mostrariam inúteis, ainda seríamos capazes de distinguir uma hora de um minuto, portanto, se nosso cérebro continuar funcionando continuaremos tendo noção de tempo.
Mas como seria, em nosso sétimo sentido, uma situação análoga à interpretação auditiva de sons graves e agudos?
Vamos à famosa situação da Relatividade Restrita: O Paradoxo dos Gêmeos. O gêmeo que tripula a nave, viajando próximo à velocidade da luz, ao voltar para a Terra estará mais novo que seu irmão. Ou seja, o mesmo evento acontecido, a viagem, demorou mais para o gêmeo em repouso relativo a Terra do que para o gêmeo que estava em movimento. E o gêmeo na nave não só sentiu o tempo passar mais rápido, pois para seu corpo também se passaram menos anos em relação ao corpo do gêmeo na Terra, o tempo de ocorrência de qualquer evento realmente é menor para o observador em movimento, como explica o Princípio da Simultaneidade de Einstein. E aí está um exemplo de interpretações distintas de percepção temporal.
A esse exemplo cabe mais uma comparação com o sentido da audição: o Efeito Doppler. Suponhamos duas pessoas afastadas entre si e um alto-falante posto em repouso ao lado de uma das pessoas e emitindo um som de freqüência contínua. O indivíduo que está afastado do alto-falante começa a correr em alta velocidade na direção do emissor dos sons. Pelo fenômeno chamado de Efeito Doppler, a pessoa que está correndo vai perceber um som mais agudo do que o percebido pelo indivíduo em repouso, e ele não somente perceberá o som mais agudo, o som realmente terá, naquela velocidade, uma freqüência superior.
Como pudemos ver, a percepção temporal humana muito tem em comum com os sentidos da visão e audição, mas ainda há analogias cabíveis.
A Percepção do Tempo (versão bidimensional)
Analisemos as interpretações que temos em relação a diferentes percepções em combinação. Se nossa retina recebe ondas de freqüências na faixa do azul e do amarelo homogeneamente distribuídas e provenientes de uma superfície, interpretaremos isso como uma superfície de cor verde.
Se recebermos, ao mesmo tempo, uma onda sonora de 400Hz – equivalente a nota musical “Lá” – e outro de freqüência distinta respeitando certa proporção em relação aos 400Hz, interpretaremos isso como um só acorde – Lá menor, por exemplo.
Não sei se seria possível a criação de um exemplo no qual duas percepções temporais distintas são interpretadas por um mesmo cérebro, portanto farei uma combinação entre percepção temporal com a visão.
Se percebermos que certo móvel se locomove uma certa distância em um certo período de tempo, interpretaremos essa combinação como a velocidade do móvel. Quanto menor for o tempo percebido, maior será a velocidade interpretada.
E se, nesse exemplo não fossemos capazes de perceber o tempo, como seria? Imaginemos, para isso, uma máquina de pintura, funcionando da seguinte forma: dois trilhos paralelos ligados por uma barra metálica perpendicular a eles e que corre pelos trilhos com ajuda de um motor elétrico. Nesta barra também há um trilho que percorre sua extensão e no qual corre um pequeno dispositivo provido de um jato de tinta. As direções que os dois trilhos percorrem são perpendiculares entre si e o jato de tinta fica voltado para baixo, onde se encontra uma folha de papel.
Suponhamos que possuímos umas vista superior do sistema e que não somos providos de nenhuma noção de profundidade. Suponhamos, ainda, que o sistema represente um universo bidimensional, com uma dimensão espacial, cuja variação é representada pelo movimento do jato, e uma dimensão temporal, cuja variação é representada pelo movimento da barra. A máquina é então configurada para que haja tal combinação de oscilações pelos trilhos que o jato desenhe um círculo no papel. Apesar de, em nossa visão, estarem acontecendo apenas movimentos verticais e horizontais dos trilhos, o resultado desse conjunto é um movimento circular, que também percebemos.
O círculo, no universo bidimensional representado pelo sistema, é a combinação entre variações de tempo e de espaço, ou seja, o círculo que vemos é a representação bidimensional da velocidade. O que aconteceria se passássemos a ver o sistema de uma vista paralela ao plano da folha de papel, ou seja, se perdêssemos a visão da oscilação da barra – representante bidimensional do tempo? Veríamos apenas a oscilação do espaço sem nenhuma percepção de velocidade, pois já não vemos nenhum movimento circular.
Podemos concluir, pois, que, em nosso universo quadridimensional, se não possuíssemos percepção temporal, não perceberíamos, também, a velocidade. Esta seria, aos nossos olhos, apenas uma oscilação espacial linear.
A.Brandão
09.02.2006
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3 Comments:
Sem muito o que dizer...
Conversamos a respeito disso, já.
A percepção do mundo através das variáveis que o compões torna tudo mais simples e enxuto.
Me surpreendeu, de verdade.
Parabéns pelo texto.
Tá INCRÍVEL!
E aí, Pedro?
Creio que o Co-lapso esteja mais de pé do que nunca.
Orgulhoso,
Méfius.
Meu velho, fantástico!
É exatamente a noção de "evento" (x,y,z,t) que tende a substituir a mera adoção do "ponto" (x,y,z), não é?
Pois creio que entre tempo e espaço exista uma infinidade de analogias possíveis; bem a noção de que, juntos, formariam um corpo homogêneo "espaço-temporal". De qualquer forma, não tinha ainda pensado na idéia de "sentidos" pra tratar de uma coisa tão não-instintiva quanto essas relatividades... genial
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Meu querido, tô ansioso pelo Co-lapso!
Pena que perdestes o pré-Co-lapso que rolou enquanto estavas fora de Brasília.
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Tenho muito orgulho de ter os amigos cientistas que tenho!
Abraços a todos
(e tô esperando vocês marcarem a data...)
Meus queridos, dêem uma olhada no Um[bigo]...
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